quarta-feira, 13 de março de 2013

Como o Inglês Se Tornou a Língua Mundial

O idioma inglês, língua germânica ocidental que surgiu com os Anglo-Saxônicos por volta do século V, e que incorporou elementos da língua nórdica antiga dos Vikings após as invasões dos séculos VIII e XI, é considerada hoje uma língua universal, padrão para transações e intercâmbios entre governos e pessoas. Sua influência atual é enorme, mas nem sempre foi assim.

Durante muito tempo, o inglês esteve restrito apenas a Grã Bretanha, mas as Grandes Navegações permitiram que ele fosse levado a lugares distantes, tornando-se língua importante nas colônias inglesas. Longe de ser um país fundamental para a fase inicial das Grandes Navegações, a Inglaterra correu contra o tempo, enquanto Portugal e Espanha tomavam posse de muitas terras, e seus idiomas eram usados no comércio de portos por todo mundo.

Mas eis que foram criadas as 13 Colônias, a faixa leste quase inteira do que se tornaria os Estados Unidos da América. Eles se libertaram do poder inglês em 1783, tornando-se um país independente, e com grande ambições.

Através de compras de terreno e conflitos com os povos nativos, as 13 Colônias se expandiram muito, virando um gigante que levou o idioma inglês a um vasto território.


*****

Com a perda de muitas colônias nas Américas, a Inglaterra voltou seus olhos para outros mares, e assim, tornou-se um império gigantesco, dominando territórios na África do Sul, Índia, Austrália, e muitos outros lugares, o que levou o idioma anglo-saxão para mais terras do que qualquer um teria imaginado.

Após a Primeira e Segunda Guerras Mundiais, o poder europeu se enfraqueceu, e a influência americana que, após a Primeira Guerra, era só financeira, passou a ser cultural. O antagonismo entre capitalismo e socialismo, ou entre Estados Unidos e U.R.S.S., serviu para que ambos os países buscassem uma ampliação de sua influência em outras terras, uma tentativa de tornar seu poder e economia maior e mais forte em caso de uma possível guerra.

Por algum tempo, o russo pareceu levar vantagens, mas o enfraquecimento gradativo que culminou com a queda da U.R.S.S. em 1991 acabou com as chances disso acontecer, e assim, o inglês pode se espalhar completamente pelo globo.

Resumo

A enorme influência do inglês só foi possível por causa do enorme território americano, da quantidade de colônias inglesas e da capacidade que a Inglaterra teve de impor sua língua, tornando-a muito importante. Fatores socioeconômicos do pós guerra também foram importantes para que isso acontecesse, de forma que a ideologia e forma de vida americana se espalhasse por todo mundo.

sexta-feira, 8 de março de 2013

A Importância dos Grandes Rios No Desenvolvimento da Sociedade

Quase desde o início da Aventura Humana, quando as bases da Sociedade começaram a surgir, ocorrendo o abandono gradual do modo de vida nômade e o surgimento de uma forma de vida mais sedentária, houve uma tendência dos grupos de humanos de se fixarem próximos a rios.

Em geral, os estudiosos tendem a olhar o impacto dos rios de uma forma mais limitada, se fixando somente a uma civilização específica, mas venho através desse texto para analisar a questão de uma forma mais ampla e completa.

O Advento da Agricultura



Vindo de um longo período em que a coleta, a caça e as migrações para novos lugares eram a única forma de vida conhecida, alguns agrupamentos humanos começaram a se fixar em lugares específicos, e por motivos claros. A atividade agrária que estava começando a se desenvolver necessitava de um fator fundamental: água. 

Ao tentar cultivar as plantas (trigo, cevada, etc) e observar como e onde cresciam, os humanos perceberam que as áreas próximas aos rios eram extremamente férteis, em especial após as cheias sazonais. Os rios transbordavam com as chuvas e o degelo da neve das montanhas, o que gerava uma grande quantidade de sedimento que aumentava muito a área do leito do rio. Quando toda essa água ia embora, uma espessa camada de sedimentos cobria as terras ao redor do leito normal do rio, e essa terra era (e ainda é) excelente para a agricultura, um potente fertilizante natural que alimentou grandes civilizações por longos períodos.

O Advento da Criação de Animais


Igualmente importante para o desenvolvimento humano foi o início da domesticação de animais.

Por milhares de anos, a única forma de conseguir carne foi a caça. Enquanto eram nômades, os seres humanos tinham poucos recursos, e sua vida de caminhadas não permitia que eles tivessem rebanhos, já que animais não podem ser levados de um lado para outro o tempo todo, era necessário um lugar fixo para criá-los.

Dessa forma, quando os povos do Oriente Médio começaram a criar rebanhos, os animais de alguma forma os prenderam a um só lugar, já que não podiam viajar longas distâncias com eles, e a agricultura foi desenvolvida em conjunto com essa atividade, de forma que a vida sedentária foi finalmente possível.

Animais também precisam de água para sobreviver, assim, a permanência próximo aos rios também foi necessária.

Uma Nova Forma de Vida


Quando aprenderam a domar animais e a utilizar as cheias dos rios de forma mais eficiente, os povos desenvolveram técnicas de construção mais inteligentes, que permitiram que fossem construídos aquedutos e canais que levavam água para plantações um pouco mais distantes, e também para fornecer água para as residências.

Diferentemente do modo de vida nômade, quando a escassez de alimentos forçava os agrupamentos humanos a se mudar para um novo local, a agricultura e a criação de animais abriu um novo capítulo na história humana. Agora o excedente de alimentos podia ser estocado para tempos de fome e seca, e a criação de animais fornecia uma fonte importantíssima de carne, o que tornava difícil uma fome repentina que matasse a população.

Dessa forma, a população começou a crescer vertiginosamente, e logo as margens dos rios tornaram-se apinhadas de grandes cidades, onde um desenvolvimento profundo mudou definitivamente os rumos da vida humana.

Grandes Rios, Grandes Civilizações

Mapa que mostra os principais rios e a área inicial das grandes civilizações. Clique na imagem para ampliá-la.
Quase que simultaneamente, diversas civilizações distintas se desenvolveram ao longo de vários rios, eis os principais (me absterei de maiores detalhes sobre as sociedades, eles serão dados em outros posts):


Tigre / Eufrates


Os dois rios gêmeos formavam (junto com o rio Nilo) o chamado Crescente Fértil, uma região de grande abundância e terras férteis, onde as civilizações se desenvolveram inicialmente. Entre os dois rios, e em ambas as margens, um solo extremamente rico favoreceu o início da agricultura e da criação de animais.

Das civilizações que apareceram ali, merecem destaque a da Mesopotâmia, Babilônia, e mais tardiamente a dos Assírios e Caldeus.

Nilo


Possivelmente o mais famoso e conhecido dos rios da antiguidade, o rio Nilo foi onde se desenvolveu a civilização dos Egípcios, um dos povos mais avançados da antiguidade, que souberam usar muito bem o poder devastador das enchentes sazonais em proveito da agricultura.


Rio Indo



O rio sagrado que daria origem a um povo de suma importância para o desenvolvimento da Índia, os Hindus. As suas enchentes eram maiores que a do Nilo, então a civilização que ali floresceu era muito grata pelas cheias, que  ajudaram a gerar (acreditam os pesquisadores) pela primeira vez a cana-de-açúcar e o algodão, que mais tarde seriam de suma importância para a história humana.



Rio Amarelo



O poderoso rio da China, que daria sustento a civilização chinesa. Foi em suas margens que boa parte dos inventos memoráveis dos chineses tomariam forma, e foi graças a suas poderosas enchentes ricas em sedimentos (muito superiores a de qualquer outro rio em qualquer lugar do mundo) que o povo chinês teve chances de crescer tanto.

RESUMO

Os grandes rios ajudaram muito na história humana. Foi nas suas margens que a agricultura foi praticada com sucesso pela primeira vez, assim como a criação de animais. Foi ali que técnicas de navegação começaram a ser inventadas e empregadas, técnicas essas, que depois de evoluírem  permitiriam que o povo europeu dominasse o mundo.

Suas águas forneceram por muitas gerações vida e morte, prosperidade e pobreza, e sua importância não pode ser expressa de forma coerente, tamanho os avanços que foram conseguidos graças a sua influência.

Belo desenho, que dá uma ideia de como era a organização da civilização Egípcia em relação às cheias do Nilo, e (pode-se supor) nas margens dos outros grandes rios.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Ocupação Inicial do Brasil


Muito já se falou sobre a história do Brasil Colônia, embora muito do período inicial da ocupação portuguesa permaneça oculto em documentos de difícil acesso, e a suposições de pesquisadores.

O que se sabe de concreto é que, após a tomada de posse realizada por Pedro Álvares Cabral em abril de 1500 (eu digo tomada de posse porque isso foi de fato o que aconteceu: as terras brasileiras (ou pelo menos a ideia de grandes extensões de terras nessa região do Atlântico) já eram conhecidas há bastante tempo, e há indícios de que europeus já haviam pisado em terras brasileiras antes de Cabral), o Brasil ficou praticamente esquecido por Portugal. Américo Vespúcio, Fernando de Noronha e outros pioneiros vieram aqui para explorar a nova "terra prometida", mas pouco fizeram para de fato colonizar o novo continente.


Por quase 30 anos, poucas expedições atracaram na costa brasileira, pois agora que o caminho para a Índia havia finalmente sido descoberto após tantos anos de suposições e martírios marítimos, era muito mais rentável para Portugal enviar expedições naquela direção, para buscar as especiarias tão desejadas no Velho Continente Europeu.

Mas foi então que os portugueses viram rivais franceses fazendo expedições clandestinas para a costa brasileira, contrabandeando seu precioso Pau Brasil e fazendo alianças com indígenas. Era preciso tomar medidas urgentes para evitar que seu precioso território fosse ocupado, e assim, o rei português dom Manuel começa a enviar expedições colonizadoras, e em 1534 instaura as Capitanias Hereditárias, divisão territorial que atribuiu a nobres e fidalgos largas faixas de terra do Brasil (14 capitanias foram distribuídas ao todo) para serem colonizadas.


Os donatários tinham quase total liberdade na exploração das riquezas (desde que a devida parte da Coroa portuguesa fosse reservada, é claro) e conversão dos índios ao cristianismo (rélis desculpa para a escravização de dezenas de povos e etnias indígenas).

O primeiro Governo Geral da colônia só foi instaurado em 1548, sendo assumido por Tomé de Sousa. Essa "novidade" não agradou os donatários, e vários conflitos aconteceram sobre a forma de escravização, cobrança de impostos e ações militares.

O Governo Geral era o representante do poder real português, e só seria dissolvido 260 anos depois, com a vinda da família real portuguesa para o Brasil, em 1808.

RESUMO

Apesar das enormes possibilidades do território brasileiro, Portugal não se importou muito com ele no início, preferindo as riquezas das especiarias da Índia. Somente quando conquistadores de outras povos se interessaram em roubar os recursos minerais daquele enorme território intocado e desprotegido que o rei Portugal ficou com medo de perdê-lo, e tratou de cuidar para que aquela terra de tantas possibilidades e riquezas fosse colonizada.

Se ele não tivesse tomado essas medidas, talvez a história do Brasil fosse outra...

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Por que Portugal foi pioneiro das Grandes Navegações


Portugal foi o primeiro país a empreender as Grandes Navegações. Com isso, os portugueses saíram na frente na corrida por colônias, metais preciosos, especiarias e escravos.

Claro que a História não segue uma relação rígida de causa e efeito, mas há alguns fatores que contribuíram para o pioneirismo de Portugal nas Grandes Navegações:

1) Portugal foi o primeiro Estado moderno da Europa. 


Na época do Feudalismo, não havia países como os de hoje. A Europa inteira estava dividida em milhares de pequenas comunidades praticamente autônomas, chamadas feudos, que eram chefiadas por senhores feudais. Com milhares de senhores feudais, o poder político era fragmentado. Portugal, depois de expulsar os mouros no final do século 11, tornou-se o primeiro Estado moderno da Europa, o primeiro reino com fronteiras bem definidas, um único rei no comando, um exército unificado. Com um único soberano mandando em um grande território, era muito mais fácil tomar decisões e concentrar esforços em empreitadas como as Grandes Navegações.

2) Portugal é um país "de frente para o mar"


O fator geográfico foi fundamental para fazer de Portugal o pioneiro das Grandes Navegações. Portugal é o país europeu mais projetado no rumo do Oceano Atlântico, e isso facilitava que os navegadores desse país desbravassem esse mar e se aventurassem em viagens cada vez mais longas ao norte da África e noroeste.

3) Portugal tinha navegadores experientes

Os pescadores portugueses estavam entre os maiores conhecedores do Oceano Atlântico. Até o século 15, os navegadores de praticamente toda a Europa só praticavam a navegação costeira e só conheciam "mares interiores" como o Mediterrâneo e o Báltico. Mas os navegadores portugueses estavam acostumados a penetrar profundamente no Atlântico em busca dos cardumes de bacalhau, se distanciando da costa e voltando em segurança. Quando a Coroa precisou de marujos experientes para as expedições das Grandes Navegações, Portugal já tinha considerável mão de obra para a tarefa.

RESUMO

 Alguns fatores ajudaram Portugal a ser o primeiro país a empreender as Grandes Navegações:

> Portugal foi o primeiro estado nacional europeu, com o governo centralizado
> Portugal é um país projetado em direção ao Oceano Atlântico e ao norte da África
> Os pescadores portugueses tinham experiência em navegação oceânica

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

As armas da Primeira Guerra Mundial

Um dos fatores que fizeram da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) uma guerra tão terrível na comparação com os conflitos anteriores foi o uso de novas armas.

As chamadas "armas da Primeira Guerra Mundial" não foram necessariamente inventadas durante essa guerra, mas foi aí que passaram a ser usadas em larga escala e mostraram todo o seu poder de destruição.

As principais inovações em termos de armamento introduzidas na Primeira Guerra Mundial foram:


> Submarinos - Usados por ambos os lados em confronto, os barcos submergíveis se tornaram importantes armas na luta pelo domínio dos mares. Navegando por baixo d'água e armados com torpedos, os submarinos podiam se aproximar de navios de guerra e de carga sem serem percebidos e afundá-los com torpedos.



> Metralhadoras - Muito mais mortíferas que os rifles e fuzis, as metralhadoras, armas capazes de disparar centenas de projéteis em sequência, foram difundidas pelos exércitos da Primeira Guerra Mundial e aumentaram consideravelmente o número de mortes nos campos de batalha.


> Aviões - Inventado em 1903 pelos irmãos Wright (ou em 1906 por Santos Dumont, dependendo da versão), o avião passou a ter uso militar poucos anos depois. Os primeiros aviões da Primeira Guerra Mundial eram de madeira com asas de pano, e aos poucos foram sendo aprimorados. Do alto, os aviadores podiam sobrevoar os campos de batalha em missões de reconhecimento, e também jogar bombas sobre as tropas inimigas. Metralhadoras passaram a ser acopladas aos aviões para ataques ao solo ou para uso em combates aéreos.


> Armas químicas - Um dos episódios mais terríveis da Primeira Guerra Mundial foi o uso de armas químicas nos campos de batalha, tática empregada por ambos os lados. O gás mostarda foi uma das substâncias mais utilizadas. Também houve emprego de gás lacrimogênio, cloro e outros produtos químicos, que visavam a matar ou incapacitar os inimigos para o combate. Os gases tóxicos usados no campo de batalha são considerados armas de destruição em massa.


> Tanque de guerra -  Quando a Primeira Guerra Mundial se tornou uma guerra de trincheiras, ou seja, um confronto em que ambos os lados ficam escondidos em trincheiras e ninguém consegue avançar sem ser metralhado, parecia que não haveria maneira segura de conquistar os territórios do inimigo. Até que foi inventado o tanque. Tanques de guerra, veículos blindados dotados de esteiras e capazes de passar por cima de trincheiras inimigas, tornaram-se equipamentos fundamentais da guerra moderna.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Estado, burgueses e Igreja: os 3 "sócios" das Grandes Navegações


Para dar conta de um projeto tão grande quanto as Grandes Navegações, era preciso muita estrutura e muito dinheiro. Imagine construir grandes navios, recrutar centenas de marinheiros, treiná-los, colocar os navios no mar e chegar a lugares no outro lado do mundo para tentar fazer comércio com povos desconhecidos -  e tudo isso nos séculos 15 e 16!

O sucesso de um projeto tão grandioso só era possível com a soma de esforços de instituições poderosas. Para isso, três "sócios" juntaram forças e bancaram a aventura. Esses sócios eram a Igreja, o Estado e a burguesia.

A Igreja Católica patrocinou as grandes navegações para expandir o seu domínio pelo mundo. Não é à toa que as velas dos navios tinham cruzes estampadas.

A principal intenção da Igreja nas Grandes Navegações era converter novos fiéis em toda parte, tornar cristãos todos os povos de todas as regiões do mundo. Evidentemente, além de fiéis, a Igreja também ganhou muito dinheiro e muitas terras.

O Estado, na forma de reinos unificados (os primeiros foram Portugal e Espanha), patrocinou as grandes navegações para tentar obter mais territórios e mais riquezas, principalmente metais preciosos como ouro e prata. Como as armas dos europeus eram muito superiores às armas dos povos das regiões conquistadas (principalmente África e Américas), os conquistadores portugueses e espanhóis (mais tarde, também franceses, ingleses e holandeses) e simplesmente se apossavam das terras que encontravam, se preciso matando grandes parcelas das populações nativas.

Já a burguesia (a classe dos comerciantes) queria entrar nas Grandes Navegações em busca de riquezas mesmo. Seu objetivo era abrir novas rotas comerciais e lucrar com a venda de produtos. Tanto ouro e prata quanto especiarias (temperos e produtos culinários de grande aceitação na Europa), tecidos finos como a seda e matérias-primas para tinturas e corantes.


RESUMO:
> As Grandes Navegações foram uma empreitada conjunta de três sócios: Igreja, Estado e burguesia (comerciantes).
> A Igreja queria converter mais fiéis, o Estado queria conquistar novos territórios e obter riquezas e a burguesia queria abrir novas rotas de comércio e obter riquezas.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Espaço & Poder

"Espaço é poder", disse uma vez o geógrafo alemão Friederich Ratzel.

Tendo em vista essa afirmação, é possível realizar uma radiografia da sociedade do Século XX e da atual, analisando fatos do passado.

Desde o final da Idade Média, por volta dos séculos XV e XVI, começou a ser moldado o Estado Moderno. Para que isso ocorresse, o processo de delineamento territorial iniciado por alguns Senhores Feudais na Idade Média foi decisivo, pois firmou a idéia de que os indivíduos desse território devessem ser controlados pelo Senhor Feudal, obedecendo e aceitando seu poder e soberania.

Esse processo criou a base da Sociedade moderna, onde nós, os indivíduos, devemos obedecer o poder superior, representado pelo Estado.

Prerrogativa de Poder

Esse é um dos conceitos que garante o poder do Estado. Para que um território onde vivem  muitas pessoas diferentes não caia no caos é necessário um poder central que puna atos de agressão e que una pessoas diferentes a um mesmo lugar, tornando-os iguais.

Por isso foi dado ao Estado exclusividade do uso da força, mantendo assim a ordem e sobrevivência interna do território. Essa visão existe desde a Idade Média, sendo que o uso da força era do Estado, enquanto a Igreja podia utilizar todos os meios psicológicos para ensinar os ritos religiosos e a moral aos cidadãos.

Poder & Imperialismo


Durante as Grandes Navegações que se iniciaram no Século XV, ficou claro para todos que uma Era de Poder e prosperidade vinha surgindo.

O grande aumento de territórios de países como a Inglaterra, Portugal e Espanha (e os inevitáveis conflitos com os nativos pelo domínio dos territórios) criou a ideia de que o Estado deveria ser forte para manter em segurança a Nação e explorar novos territórios para aumentar seu Poder.

Isso causou o enorme crescimento e desenvolvimento da indústria bélica, aliado à novas descobertas científicas que aumentaram muito o poder de destruição das armas.

O Estado, para dominar novos territórios e aumentar seu Poder, iniciou conflitos cada vez maiores com outras Nações, o que foi fator determinante para que ocorressem a Primeira (1914-1918) e a Segunda (1939-1945) Guerras Mundiais.

O Poder Hoje
A devastação causada pelas bombas atômicas no final da Segunda Guerra Mundial abriu espaço para uma nova Era de tecnologia e progresso.


O medo da destruição mundial por uma guerra nuclear entre EUA e URSS, que ficou conhecida como Guerra Fria, serviu como poderoso dispositivo de controle mundial, e fez com  que o progresso tecnológico se torna-se mais importante que disputas territoriais (isso na teoria, é claro).


Embora guerras e conflitos territoriais, como a Guerra do Vietnã (1959-1970) e a Guerra da Coréia (1950-1953), sua intensidade era relativamente menor, o que resultou em um estado social mais agradável do que foi até 1945, quando os desejos expansionistas de um louco felizmente foram detidos...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A Relação Entre o Homem e a Natureza


A relação existente entre o Homem e a Natureza é tão antiga que é difícil prever seu início.

No início da raça Humana, quando nossa inteligência ainda era primitiva, o Homem não tinha poder sobre a Natureza, servindo-se apenas da coleta de frutos, da caça e da pesca para sobreviver. Assim, quando os bens naturais escasseavam, o grupo era obrigado a procurar outro local para se estabelecer.

Isso mudou por volta de 10 ou 12 mil anos atrás, quando ocorreu a chamada Revolução Neolítica, onde o ser humano, mais desenvolvido, começou a cultivar plantas e a domesticar animais.

O Homem tornou-se sedentário, utilizando a Natureza conforme seus interesses e necessidades. Desde então, a Natureza tem sido destruída por ações humanas em ritmo crescente, o que tem causado sérios danos ambientais.

Trabalho & Tecnologia


Conforme a inteligência humana foi crescendo, o Homem foi criando máquinas para facilitar seu trabalho. Um dos exemplos mais antigos de instrumentos construídos pelo Homem para esse fim foi o Arado, que aumenta a produtividade e facilita o plantio.


Instrumentos como o Arado e o Machado, utilizados há milhares de anos, vem causando transformações modestas no meio natural. Seu uso facilita o trabalho e não causa danos grandes, ou seja, o Habitat humano não é afetado de forma drástica.

Com a rápida e vertiginosa industrialização iniciada no século XVIII, iniciou-se um aumento da velocidade do trabalho humano, propiciado pelas novas máquinas surgidas desde então.

Porém o uso dessas máquinas, como a motoserra, causa danos profundos, violentos e rápidos na Natureza em um ritmo vertiginoso, o que não permite que os Recursos Naturais sejam repostos. 

Assim, o Homem está destruindo seu Habitat sem controle, evitando que os bens naturais se recuperem, e causando danos irreversíveis que já estão começando a afetar a vida humana de forma profunda.

Trabalho & Empresa


Esse é outro dos fatores que acelerou e ampliou a produção humana grandemente, e iniciou o consumo desenfreado que vem contribuindo para a destruição do Habitat humano.

Tudo começou por volta do século XV, no final da Idade Média, quando as bases fundamentais do Capitalismo começaram a ser criadas.


Tendo em vista que a base do sistema capitalista é a venda e a obtenção de lucro, um novo método de trabalho precisava ser desenvolvido para ampliar a produção.


Assim, foi criada o que ficou conhecida como Divisão do Trabalho, onde cada indivíduo da empresa é responsável por uma atividade única, sendo que cada fase produtiva é feita por um ou mais trabalhadores individualmente.


Esse sistema acelerou o processo produtivo, pois evitou o desperdício de tempo que existia para o trabalhador passar de uma tarefa para outra, desenvolveu a especialização do trabalhador, agora dedicado a uma única tarefa e, por fim, desenvolveu a criação de novas ferramentas adaptadas para o uso específico naquele serviço.

O problema que surgiu nesse método foi que, com a grande monetarização do trabalho a sociedade se tornou cada vez mais dependente desse sistema, e tornou os trabalhadores meras "mercadorias" dependentes da empresa para trabalhar.


Outro ponto foi o fato da civilização tornar-se cada vez mais dependente de suas máquinas  e menos dependentes das forças naturais, o que tornou as máquinas destrutivas presença obrigatória nas atividades humanas atuais, e vem acelerando cada vez mais a destruição dos recursos naturais.


Esse processo tem se juntado em tal proporção às atividades humanas que hoje é praticamente impossível separá-lo do dia-a-dia do trabalhador, e talvez seja fator determinante para a destruição da Natureza e conseqüentemente do ser humano...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Poder Dos Livros Sobre a Sociedade




Desde que o Ser Humano tornou-se consciente, ele sente necessidade de deixar suas impressões sobre o mundo, suas imaginações e a forma como vivia para a posteridade. Assim, o jeito que ele encontrou para fazer isso no início foi desenhando em cavernas, e mais recentemente através de livros. 

Tão exaltado em outras épocas, e tão humilhado hoje, o livro é de longe o sistema de comunicação mais disseminado no mundo, perdendo apenas para a fala. É um instrumento importante em qualquer cultura, onde o ser humano pode colocar suas fantasias e críticas, falar de qualquer assunto, e, o mais importante: deixar suas idéias para a posteridade.

Já foi considerado uma fonte inestimável de conhecimento, e hoje em dia está perdendo espaço para a tecnologia em constante crescimento, que está destruindo a inteligência dos jovens, fazendo-os achar que parar duas horas com um livro na mão é perda de tempo. 

Mas é interessante notar que essa mudança não é tão antiga, mas vem principalmente de 20 anos para cá, quando o aumento significativo no número de pessoas comuns capazes de adquirir um computador causou um desequilíbrio muito grande nas gerações que vieram em seguida, que, ao estar em contato permanente com essas tecnologias perderam o contato com aquela que é a melhor fonte de informação de todas. 

Além de fornecer divertimento e informação, ler um livro é a melhor forma de aprender palavras novas e a escrever melhor. Sei por experiência própria que ler ajuda inconscientemente em como falamos e escrevemos, e hoje escrevo muito melhor do que quando não lia muito.

Mesmo com o alto preço dos livros no nosso país, fica a dica: 

Invista em conhecimento! Você saberá se relacionar melhor e estará mais bem preparado para enfrentar o mercado de trabalho! 
Você só tem à ganhar reservando um pouco de seu dia para a leitura, então seja esperto! Leia mais!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O Que Aconteceu Com O Sistema Ferroviário Brasileiro?

Em 1852 foi criado, por decreto de D. Pedro II o primeiro trecho ferroviário brasileiro, que unia a praia da Estrela, na Baía da Guanabara e a Raíz da Serra de Petrópolis. Foi um projeto implementado pelo Barão de Mauá, que anos antes havia visitado a Inglaterra, onde ficou surpreendido com o sistema ferroviário do país, e percebeu que seria um passo muito importante para o Brasil se industrializar.

Após isso, a expansão da ferrovia no Brasil foi rápida, e surgiram dezenas de empresas que estavam interessadas em lucrar com esse novo meio de transporte. Muito sangue e suor de pobres operários foi necessário para realizar as ligações ferroviárias, mas hoje é possível dizer: Será que valeu à pena todo esse esforço? 

Depois de muitos anos de construção e aumento constante das ferrovias, presidentes como JK decidiram trilhar um caminho diferente, o do Sistema Rodoviário, e tudo feito antes foi praticamente abandonado. 

No início as rodovias eram uma maravilha, tudo era festa, mas depois dos anos começaram a aparecer os muitos problemas, como as más condições na infra-estrutura delas, os problemas com combustível, e tantos outros que conhecemos de cor.

Afinal, foi bom investir no sistema rodoviário? As ferrovias seriam, do ponto de vista econômico, muito mais vantajosas, por uma série de motivos:
  • Economia de combustíveis;
  • Muito menos poluição;
  • Menos problemas com as vias, pois são bem mais seguras e estragam pouco;
  • Maior facilidade na hora de transportar a preocupação, pois não há congestionamentos, e acidentes são raros.

Já no ponto de vista de transporte de pedestres, os trens evitariam os congestionamentos e acidentes de causa humana, ajudariam na circulação das cidades, onde no lugar das inúmeras ruas e avenidas poderiam ser implementados prédios e (por que não?) parques.

Acredito que o que é necessário é um projeto de grandes proporções que remodele a estrutura das cidades, melhorando a circulação e qualidade das pessoas. É claro que não é uma idéia nada simples de ser feita, mas se não for iniciada em algum momento, a tendência das rodovias é só piorar...